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Este apartamento de 144 m² foi completamente ressignificado para acolher a vida de um jovem casal que chegou até nós com uma ideia muito clara do que buscavam: um lar como alívio aos sentidos, um espaço onde o corpo desacelera, o olhar repousa e a casa se torna abrigo. Sem excessos, mas cheia de significado.
Minimalistas, veganos e vivendo com três cachorros, eles trouxeram um briefing com muita clareza e sensibilidade.
O estilo Japandi surgiu como ponto de partida, mas logo revelou a necessidade de algo a mais: uma brasilidade viva, afetiva, conectada à arte, às origens e à ancestralidade. Falando em ancestralidade, esse foi outro ponto que surgiu como elemento importante na criação do projeto: Ela tem ancestralidade do Pará e ele do Líbano. Estudamos todas as influências que eles nos trouxeram para criar um conceito único para eles.
Do Japandi, trouxemos a essência: base neutra, madeira clara, layout fluido, linhas leves e uma curadoria precisa de elementos naturais. Aqui, o projeto convida a caminhar com leveza sobre o mundo, a encontrar beleza nas coisas simples e a viver com o essencial — aceitando as imperfeições naturais do tempo e da matéria. O mobiliário mais próximo do chão reforça essa ideia: estar mais perto do solo é também estar mais conectado ao ambiente, às pessoas e à sensação de aconchego.
A brasilidade surge como um toque tropical sutil, porém presente. Não apenas na vegetação, mas também em pontos de cor: alegres, quentes e vibrantes, que evocam a fauna e a flora brasileiras. O artesanal tem papel central: objetos feitos à mão carregam marcas, histórias e afetos. Expostos no espaço, eles despertam pertencimento, memória e celebram a arte brasileira e seus povos.
A ancestralidade foi traduzida de forma sensorial. Para remeter ao Pará, buscamos a imagem do banho de rio: uma ode às águas paraenses, às suas nuances de cor, reflexos, fluidez e organicidade. O grande pilar da sala é revestido com azulejos que evocam o movimento e a profundidade do rio, enquanto a mesa lateral traz transparência e tonalidade que lembram suas águas calmas.
A arte indígena aparece como presença viva, não como ornamento. Cerâmicas marajoaras e outras peças artesanais herdadas dos povos originários ocupam o espaço com dignidade, enquanto grafismos inspiram detalhes arquitetônicos, criando uma narrativa que conecta passado e presente.
Já o Líbano se manifesta nos materiais e nas formas: cerâmicas artesanais no estilo zellige, elementos arqueados, nichos na alvenaria, mobiliário baixo e uma paleta de tons terrosos.
O resultado é uma casa que acolhe o cotidiano com suavidade, que mistura culturas sem ruído, que respeita o essencial e valoriza o feito à mão.
Local: São Paulo
Metragem: 144 m2
Ano de conclusão: 2024
Fotos: Nuki Suki Studio